Mais de 300 mil abortos realizados em Portugal em quase duas décadas

Out 28, 2026

Desde que a lei foi aprovada, em 2007, terão sido feitos 324.660 abortos em Portugal, envolvendo 235.660 mulheres. Os números fazem parte do estudo "A realidade do aborto em Portugal", divulgado esta sexta-feira [2 de outubro de 2026] pela Federação Portuguesa pela Vida (FPV), e não incluem as interrupções da gravidez feitas por risco de saúde para a mãe, violações e malformações do feto.

“Aquilo que nos tem preocupado é a banalização que continuamos a ver do fenómeno do aborto”, diz Francisco Vilhena da Cunha, responsável pelo gabinete de estudos da instituição. “Batemos também recordes do número de abortos de repetição, em 2004 [5.237] e em 2025 [5.198]. São recordes tristes”, lamenta.

Os dados globais apresentados pela Federação Portuguesa pela Vida resultam da soma entre os números oficiais publicados pela DGS até 2025 (que dão conta de 303.706 abortos por opção da mulher) e uma "extrapolação" feita pela FPV até setembro, com base na tendência dos anos anteriores.
Entre as conclusões do estudo está a constatação de que as mulheres grávidas que não vivem com o pai do bebé têm quase cinco vezes mais probabilidade de abortar do que as que coabitam com o progenitor da criança.
“Nas mães que vivem com os pais dos seus bebés, há 103 abortos por mil nascimentos. Nas que não vivem, este número é de 774 em mil, o que se reflete numa probabilidade praticamente cinco vezes superior de uma mulher que não vive com o pai do seu bebé de recorrer ao aborto”, diz Francisco Vilhena da Cunha, referindo que se trata de uma realidade que “tem vindo a crescer todos os anos sistematicamente”.

Os dados mostram, ainda, que as mulheres estrangeiras têm uma probabilidade quase duas vezes superior de recorrer à interrupção voluntária da gravidez por comparação às mulheres portuguesas.

Francisco Vilhena da Cunha não considera que estas estatísticas possam indicar que Portugal se possa estar a tornar um destino para mulheres que querem interromper a gravidez e não podem fazê-lo nos seus países de origem. “Penso que o que teremos aqui, muitas vezes, são situações de mães imigrantes, provavelmente com uma rede de apoio menos robusta que a levam a considerar o aborto como única e última opção”, diz, mencionado o trabalho desenvolvido pelas associações que apoiam mulheres grávidas em situação de fragilidade, ajudando-as a terem os bebés.

Notícia publicada em www.rr.pt a 2 de outubro de 2026
Por Ana Catarina André - Rádio Renascença

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